sábado, 23 de maio de 2020
71º dia de isolamento social (COVID-19)
Desconfinada mas isolada
Estive alguns dias com medo de sair de casa. Não por causa do Covid-19 mas por causa da porta. Emperrou, descaiu e por 2 vezes tive de chamar alguém para me ajudar, com jeitinho ou força, a deixar-me entrar.
Numa zona onde é difícil arranjar alguém, hoje tive toda a manhã o sr. Ioan, que já me fez vários trabalhos de construção civil.
Oriundo de leste, deve andar pelos 60 anos e tem uma grande barriga. Sabe fazer todas as coisas da construção, inclusive electricidade e águas. E, claro, tem sempre clientes à espera.
Neste dois meses de confinamento esteve em casa com a mulher a protegerem-se da doença. Quando retomou o trabalho e porque no sítio onde estou só se podem fazer obras, leia-se barulho de obras, até final de Maio, não aceitou nada de demorado. Só uns biscates soltos.
Foi assim que a sorte me bafejou. A porta, azulejos que se tinham solto, pinturas pequenas, umas torneiras, uns quadros para pôr na parede mas que exigem buraco feito com máquina, e mais uns cem números de pequenos arranjos. Esteve hoje e continuará na 2ª feira.
Entretanto já posso sair. Sábados e domingos são dias que evito mas só saber que posso e a porta se abrirá à minha chegada é um alívio.
Já estive confinada que baste, agora presa era demais.
sexta-feira, 22 de maio de 2020
70º dia de isolamento social (COVID-19)
Desconfinada mas isolada
Estava há pouco a ver televisão, coisa que raramente vejo de tarde.
E tomei conhecimento que um jovem de 13 anos foi internado nas urgências após ter sofrido violentos maus tratos pelo pai.
Foram ouvir uma tia paterna.
E aqui começa o curioso. Este sobrinho desde pequeno que passa férias com a tia. A tia nunca desconfiou de maus tratos.
No entanto referiu duas coisas importantes:
1 - Ao falar do irmão descreveu-o como um alcoólico que fica muito violento quando bêbado.
2 - Ao falar do sobrinho descreveu como ele resiste e se manifesta, no terminar os dias de férias, em voltar para casa dos pais. (Percebi que a mãe também lá vive).
O triste é que aquela tia que agora se prontifica para ficar com o sobrinho, nunca se interrogou sobre a recusa dele de voltar à casa dos pais.
Sei e tenho conhecimento de inúmeras situações em que a leitura dos comportamentos, dos afectos, não é feita. Diria mesmo mais, é evitada se por acaso aflora ao pensamento.
Podemos pensar que é falta de treino de pensar, falta de tempo, falta de empatia. Ou medo! Ditados antigo dizem que entre marido e mulher não metas a colher, e pai que bate educa.
O termos vivido tantos anos debaixo de um regime que se manteve também através do medo, da queixas que os funcionários da PIDE transmitiam, com as graves consequências que sabemos, contribuirá para as poucas denúncias que existem nos casos de maus tratos? Nem Um vizinho que nunca ouve nada! Às vezes o professor mas com o confinamento nem aulas tem havido!
Será possível que o caso da morte da Valentina tenha contribuído para que esta situação viesse a ver a luz do dia?
quinta-feira, 21 de maio de 2020
69º dia de isolamento social (COVID-19)
Desconfinada mas isolada
Com um blog iniciado em 2009 embora interrompido, não sei se me repito. De qualquer modo e felizmente continuamos vivos e o dia repete-se.
Fotografia retirada da net
Hoje é 5a feira da Ascenção, Dia da Espiga. Na rua mulheres com cestos de verga vendiam raminhos que, imaginei, apanhavam cedo pelos campos. Papoila, espigas, raminho de oliveira e outras flores silvestres. Era um hino à fertilidade e à primavera. Só quando as vias me lembrava do dia.
O Dr. João dos Santos, pedopsiquiatra, psicanalista e pedagogo nunca se esquecia. E no colégio lá estava sempre uma cesta de raminhos para os técnicos que ali trabalhavam.
Agora com as ruas com menos gente, essas mulheres ainda por aí andam a vender?
quarta-feira, 20 de maio de 2020
68º dia de isolamento social (COVID-19)
Desconfinada mas isolada
Um tempo esplêndido, sol, calor quanto baste, água do mar de boa temperatura.
Pelo areal fora, marcha para lá, marcha para cá, bastantes pessoas, em pequenos grupos.
"Habitués" de todos os anos, o norte gosta imenso de vir para o Algarve. Nesta praia são tios e tias, que se tratam por você, com aquele sotaque portuense ou mesmo mais nortenho.
Eles de calções caros, alguma barriguinha e sempre um cordão de ouro, com ou sem crucifixo. Elas, loiras ou com madeixas embora o cabelo branco esteja na moda. Frequentemente de bikini a mostrar alguma gordurinha num corpo que sofreu no ginásio e nas massagens.
Mas este ano as fotografias vão ficar estragadas, é que andam todos de máscara. Ao tirá-las ficaram com parte da cara branca. Será que se torna moda?
terça-feira, 19 de maio de 2020
67º dia de isolamento social (COVID-19)
Desconfinada mas isolada
Que bem fiz em vir ontem! Temperatura q.b., praia enorme quase deserta, passeata com banho a meio, ida e volta uns kms.
Kit de praia, o costume mais a máscara, não na cara mas na bolsa.
À vinda passagem pelo mercado e o almoço foi um luxo!
RECEITA DE AMEIJOAS - Sem cebola, sem refogado, sem sal nem pimenta, vinho ou outro líquido. Tudo natural e simples.
Passe por um mercado de praia e compre ameijoas "boa", é o nome delas. No mercado vão lhe colocar as ditas em água do mar. À chegada a casa verta tudo num alguidar enquanto prepara a mesa.
Usei uma wok com tampa. Muito importante a tampa, porque deve ficar vedada.
No fundo pus um dente de alho a que dei um murro, esmagando parcialmente
Azeite a tapar o fundo
Um pouco de coentros cortados com a tesoura
E ao mesmo tempo as ameijoas que se tiram da água.
Tapa-se e deixa-se estar em lume forte poucos minutos (no meu fogão estava no nº 9)
Logo que estiverem abertas, tira-se do lume.
Por cima mais um pouco de coentros também picados e limão.
Acompanhe com pão alentejano ou algarvio. Molhe-o no molho.
Bebida branca a gosto.
segunda-feira, 18 de maio de 2020
66º dia de isolamento social (COVID-19)
"Mais uma desconfinadela"
A facilidade com que inventamos palavras é extraordinária. Língua viva não morre.
Lamentei quando ontem li um artigo sobre a diminuição de galegos que falam a língua galega. Das duas línguas obrigatórias para os estudantes, o galego é cada vez menos escolhido. Estudam castelhano, o dito espanhol como por cá é ensinado, e muitos escolhem línguas de outros países, como o inglês, o alemão, o francês ou o mandarim, muito em voga.
No meu tempo estudava-se francês e inglês. Hoje são poucos os que ficam a saber francês.
Desconfinei cedo, rumo ao Algarve. O tempo promete, casa por casa aqui tenho terraço onde já apanhei um pouco de sol.
À hora combinada liguei skype, o pedido do meu neto veio de quase de imediato. Mostra lá como está isso aí fora se fazes o favor, s´il te plaît. Et le ciel, s´il te plaît. O resto foi todo em francês. Nada como a conversação, mês e meio de conversa e já está muito melhor.
domingo, 17 de maio de 2020
65º dia de isolamento social (COVID-19)
Há 2 dias "desconfinei". No carro, sozinha, foram 110 kms para lá e outros tantos para voltar.
Há pessoas que julgam ter sorte por receberem umas heranças mas há algumas que são prendas envenenadas. Na terra da minha Avó, eu e as minhas primas temos uma pequena pipa de terrenos, alguns bonitos, mas que não só não nos servem para nada, como ninguém os quer comprar.
E têm de ser limpos por causa dos incêndios.
Ainda o ano passado foram cartas para a GNR e para a Câmara que me diziam que um terreno não estava limpo. Ora pelo telefone eu tinha mandado limpar e por transferência tinha pago. E embora tenha pedido expressamente ao vereador da Câmara que me desse resposta à minha carta explicativa, nunca recebi resposta nem mesmo uma multa.
No dia da minha saída fui ver o terreno. Terá sido limpo o ano passado? Custa a crer! Pinheiros encostados uns aos outros, enormes, copas a entrecruzarem-se, tudo o que não é permitido e não é seguro em caso de incêndio. Lá conversei com uma pequena empresa que irá fazer a limpeza. Parece que devia ter procurado vender a madeira mas não o soube fazer.
Quando estiver limpo vou desafiar a família a fazer um picnic com as devidas distância, claro.
Mas agora pergunto eu, que limpeza teremos andado a pagar estes últimos anos?
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