quarta-feira, 28 de abril de 2010

Aconteceu...ler


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Já escrevi que consigo cumprir a missão que me foi confiada, ai desculpem, isto foi noutro sítio... dizia eu que consigo aguentar andar de bicicleta ou fazer passadeira no ginásio porque levo um livro e estou sempre a ler..

Percebi ontem que na hidroginástica fiquei conhecida pelas muletas que ainda usava no início, no ginásio por este afã de leitura.

Já li vários livros, algumas passagens de um ou outro foram mote para escrituração aqui..

Acho que não disse como escolho os livros para levar para lá.

Preciso que sejam razoavelmente estreitos para se segurarem lá no painel do aparelho e que tenham letras bem gordas para eu as conseguir ler.

Assim, e atendendo às características, vou à estante e escolho, e tenho repetido vários livros que já tinha lido, alguns deles há muitos anos..

Acabei ontem, "Vinte E Quatro Horas Da Vida Duma Mulher" de Stefan Zweig, numa edição da Livraria Civilização e que está assinado na 1ª página, com nome inteiro da minha Mãe e ainda Feira do Livro 1942.

Curioso que a Feira do Livro de Lisboa abre amanhã e eu não fazia a mínima ideia que já existia há 68 anos! Mas não sei se houve de forma continuada ou com interregnos..

Quando o li a 1ª vez, pensei que o autor fosse uma mulher. Talvez por simpatia com o título mas também pela forma maravilhosa como ele descreve os sentimentos da protagonista.

Na verdade, também a forma como descreve o protagonista viciado no jogo, adicto como se diz hoje, é exemplar. E que actual! A descrição das mãos, da mímica, da tensão, a crença mágica na sorte, a capacidade de prometer mudar mas a incapacidade de o fazer, como se parte de si próprio deixasse de se lembrar e reconhecer..

Mas que sorte poder reler algumas obras-primas da literatura. Porque o que está na moda é ler a novidade, encomendar antes de ser posto à venda, mas porquê, para quê se tanto aprendemos com a releitura de obras antigas. E quantas não teremos ainda por ler? .

Cada vez que relemos, nós próprios estamos noutra fase, temos outros olhos, outras possibilidades de entendimento, e por isso a releitura é muitas vezes uma nova leitura.

2 comentários:

  1. Por x até gostamos e ignoramos porque sublinhámos, analisando a situação. Outras x nem sabemos porque gostámos tanto, outras gostamos muito mais.
    Já li 3x a Aparição. E é sempre um apaixonamento. O suicídio do trabalhador alentejano, que porque não tem mão para trabalhar se mata, e o médico contínua caminhando...(pois já sei que não se mata apenas por isso.)Pois. Quanto aos livros deveriamos tê-los todos de cara para cima...tal como os colocamos, uns contra os outros entre si, fazem-me desconfiar sempre das conversa entre eles, sobretudo à noite quando vamos todos dormir. Pode ser ciume...ou + coisas!? Saiu agora de novo "A Ilha de Arturo" da Elsa Morante, outro fascínio (meu),maior quando descobri a Ilha onde se passava o romance.

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  2. Tu tens sempre umas ideias muito curiosas pelas associações que fazes, ou não fosses tu artista e teres essa capacidade de conjugar o que os outros nem pensam.
    Levantei-me e pus-me a olhar para a estante, ver quem estava com quem. A ideia da conversa entre os livros, entre as personagens e porque não as letras que há nuns e noutros é engraçadíssima!
    Mas dei-me conta de uma coisa, as letras são todas masculinas, um a, o b, e por aí adiante. Que chatice, se a conversa for das letras, será conversa de caserna.

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